Um gostinho da Rússia |
Diário de bordo da minha primeira viagem internacional com destino à terra dos tzares - Por Caroline Araújo |
25.07.12 - 26.07.12

Saltamos da Moskovskaya Vokzal e pegamos o metrô. Deveríamos ir até uma estação onde parava um ônibus para o aeroporto Pulkovo-2.
Fiquei impressionada que mesmo naquele horário, o metrô estava bem lotado e havia velhinhas trabalhando, vendendo flores na estação. :(
Pegamos o ônibus, que custou o equivalente a 50 centavos.
Agora, era só aguardar o nosso vôo, que sairia por volta das 3 da manhã (se não me engano). Aproveitei a internet de graça para falar com amigos e parentes. Também comprei uma água. Foi engraçado, porque perguntei para o atendente se ele falava inglês (em russo) e ele disse que “mais ou menos”. Ele parecia muito nervoso com a minha pergunta. Então, eu pedi a água e ele trouxe duas garrafas e tentou me perguntar se eu queria com ou sem gás, como se eu não entendesse isso. heheh
Bom, fui tentar fazer o check-in nas máquinas do aeroporto, mas estava tudo fora do ar. Ficamos, então, esperando até tudo voltar ao normal. O sistema voltou algum tempo depois e eu fui numa das máquinas, que escaneia o passaporte para fazer o check in. Uma funcionária do aeroporto foi super gentil comigo, avisou quando as máquinas voltariam e também quis me ajudar na hora de realizar o procedimento.
Agora era só esperar a hora do vôo.
Fui numa máquina de café/chocolate quente/leite. Havia uma senhora na minha frente e ela não estava acertando usar a máquina e pedia a MINHA ajuda. Hahahah
No final das contas, conseguimos fazer nosso pedido, mas eu acabei derrubando um pouco de chocolate na hora de retirar o copo da máquina. Estava maravilhoso, de qualquer forma.Também comprei umas torradinhas sabor queijo em uma máquina de salgadinhos. Eu amei aquelas torradas, inclusive trouxe algumas para meus familiares provarem.
O horário do vôo se aproximava, então resolvi separar minhas coisas, quando…
Me dei conta que o meu cartão de imigração, que estava comigo desde o dia em que pus os pés na Rússia, havia DESAPARECIDO.
Vocês não entendem o meu desespero. Realmente, depois de tantas zebras, era o que faltava na viagem: eu ser detida na fronteira e não conseguir voltar para casa, ser presa e deportada.
Ao logo da viagem, eu peguei diversos panfletos, papéis e embalagens e guardei para servir de recordação. O Carlos me fez revirar todo esse material em busca do tal cartão.
Só posso dizer que passamos algumas horas em uma tensão indescritível. Depois de ver toda a minha mochila, cheguei a conclusão que isso só poderia ter caído em algum lugar. Resolvi andar pelos mesmos locais do aeroporto que havia passado (a lanchonete, a máquina de café e a de salgadinhos, a máquina de check-in).
Passei então perto da máquina de check-in e perguntei para aquela simpática funcionária. Ela olhou para o canto, juntou um papel que estava na área restrita atrás das máquinas e perguntou: “não é esse?”
E era.
O cartão havia voado de dentro do meu passaporte na hora que eu coloquei na máquina para escanear.
Alívio define o momento.
Aproveitei e fui nas lojas do aeroporto comprar algumas lembrancinhas. Até que o momento de embarcar chegou. Era o momento de dizer um adeus à Rússia, país que adorei, amei, conhecer. Bom, na verdade não era um adeus, era mais um até logo.
De volta à Munique
Na fila para despachar as malas, dois russos - com mó pinta de mafiosos - passaram na nossa frente com uma cara de pau impressionante!Até a funcionária ficou constrangida.
De qualquer forma,despachamos as malas e embarcamos com destino à Munique novamente, mas, dessa vez, passaríamos apenas cerca de 2h esperando nosso próximo vôo.
O vôo para Munique foi tranquilo, tomei o café da manhã e dormi.
Ao chegar lá, pegamos a fila da imigração ( o Carlos teve alguns problemas para explicar para o funcionário que iríamos ficar lá só para pegar o vôo de volta para o Brasil). Vi uma família de orientais ter a entrada negada na Alemanha, foi chocante. :o
Também vimos finalmente a saída do aeroporto, só que, para nosso azar, o vôo já iria sair, então deveríamos ir logo para o portão de embarque.
Aproveitei o curto tempo que tínhamos e comprei algumas coisinhas nas lojas “duty free” do aeroporto. Comprei um chocolate Mozart para minha irmã, uma camisa do Bayern de Munique (time que adoooro), vodkas russas e um gel anti-séptico da Lâncome.

(Eu com a camisa do Bayern weee o/)
O tempo passou e nada do nosso vôo sair. Quando fomos ver nos painéis do aeroporto, trocaram o nosso portão e o vôo atrasou por uns 40 minutos.
De qualquer forma, embarcamos para Lisboa. O bacana foi que durante o vôo deu para ver umas montanhas cheias de gelo no topo (seriam os alpes?)

Tomamos café - de novo- e almoçamos um frango à moda chinesa (?) no avião. Eu fiquei o vôo inteiro dormindo e acordando. Por sinal, havia um bebê que não estava simplesmente chorando, mas se esgoelando o vôo INTEIRINHO. Do momento da decolagem até pararmos no aeroporto, o neném não calou a boca. Quando o avião parou e todos os passageiros ficaram de pé esperando a porta abrir, o bebê continuou chorando e deu para ver a cara de constrangimento do pai, que não sabia mais o que fazer.
Bem, o choro do bebê não impediu meu sono e eu dormi praticamente o vôo inteiro. Foi muito estranho. Meu corpo parecia não saber mais quando sentir sono, quando comer.
Ora pois, em Portugal.
Aterrissamos em Lisboa e corremos para pegar nosso vôo para Fortaleza, já que o vôo de Munique havia atrasado, o para o Brasil já estava saindo!!
Corremos com mala e tudo pelos corredores do aeroporto, nem deu tempo de conhecer. Só vi - enquanto corria - aqueles galos pretos todos enfeitados e lembrei do meu avô, que adora Portugal :(
Nos deparamos, então, com uma fila quilométrica da imigração. A fila estava repleta de brasileiros e a grande maioria iria pegar o mesmo vôo que a gente e estava desesperada também (com medo de o avião sair e nos deixar lá). O nosso problema ainda seria maior, porque também iríamos perder o retorno para Belém.
Enquanto a fila andava a passos de formiga, fomos conversando com uma dupla de brasileiras de Fortaleza, que estava retornando de um intercâmbio em Portugal. Contamos para elas das nossas aventuras na Rússia e tudo mais.
Eu já tava com o fuso horário todo bagunçado, pois estava viajando há mais de 24h e sem ver o pôr-do-sol. As noites brancas, por si só, já mexem com o metabolismo, passar 8 horas num trem, mais 8 num avião são suficientes para te deixar totalmente desregulado.
Recebemos o carimbo de imigração portuguesa e corremos para embarcar. Éramos os últimos a entrar nesse vôo da TAP.
Além do fuso horário, era engraçado voltar a falar em português com as aeromoças, eu já havia passado por tantas línguas num mesmo dia, que nem sabia mais como responder (alemão, inglês, russo??) heheh
Aproveitei o vôo para assistir a um filme (Jogos Vorazes) e ouvir um disco do Bruce Springsteen, oh yeah.
O almoço - sim, almocei de novo - foi um peixe cozido e a sobremesa foi tipo uma canjica.
Chegamos no Brasil acabados e, tchan-ram, mais uma fila de imigração. A alfândega da receita, no entanto, nos liberou.Para completar, eu esqueci meu óculos no avião e fiquei cega o resto da viagem.
Devo dizer que é muito estranho “voltar no tempo”, ainda era o dia 26? Para mim, parecia que eu estava viajando por dias. Hahahah
Despachamos as malas de novo e fizemos check-in, dessa vez, indo finalmente para Belém.
O vôo foi tranquilo também, serviram umas bolachinhas e bebidas.
E chegamos e nossas malas também e foi assim que essa viagem maravilhosa chegou ao fim.
Por enquanto, esse tumblr também vai ficando por aqui, até o próximo gostinho da Rússia acontecer heheh ;)
Adorei dividir com todos vocês - aliás, nem sei se alguém realmente lê isso, mas foi bom de qualquer forma - as minhas experiências, que tiveram seu lado ruim, mas que também serviram como aprendizado para o resto da vida.
Oh sim, tive que combater meus medos, seja de escada rolante, seja de estar perdida em um país estranho sem rumo ou contato com a família. Mas também estive m lugares mágicos, que transpiram história, arte e cultura.
Nenhuma funcionária durona da imigração me mete medo mais! hahahaha
Espero que vocês tenham gostado e não vão pensando que vai demorar para eu voltar a viajar e escrever. Dia 2 de janeiro de 2013 (isso mesmo, tá pertinho) eu vou viajar para Israel e contarei todas as minhas aventuras nesse tumblr:
www.umgostinhodeisrael.tumblr.com
Quem quiser dar uma provada nesse país que deve ser incrível, terra dos meus antepassados, só conferir o tumblr!
Um grande beijo para todos, da vstrechi!
25.07.12

Depois de pegar um metrô hiperlotado, finalmente chegamos na Estação de Trem Leningradksaya. Dessa vez, fomos espertos e chegamos com bastante antecedência (nosso trem saia às 14h e nós chegamos lá umas 11h).
Como vocês já devem ter imaginado, depois de ter lido todo esse tumblr, sim rolou um problema. Sim a gente não sabia para onde ir e ficamos pelo menos 1h perambulando pela estação, perguntando para os guardas onde ficavam as máquinas para imprimir os bilhetes.
Nem vou estressa-los contando essa história, porque nem eu mesma consigo lembrar direito, foi uma certa dose de estresse, só para animar nossa partida.
Como vocês também sabem, nós conseguimos encontrar as máquinas e ficamos o tempo restante esperando em um pequeno saguão. Comprei umas batatinhas-fritas muito gostosas (e baratas), um spraite e fiquei resolvendo uns joguinhos no panfleto que veio no sapsan. :P
Nós fomos para Moscou de sapsan, mas a volta seria num trem comum, 3ª classe (sinta o drama). Eu estava um pouco apreensiva, afinal, não fazia ideia de quais as condições de um trem de 3ª classe. Apenas sabia que a viagem demorava o dobro do tempo do sapsan. E contrapartida, custou somente 30 dólares, enquanto que o sapsan foi mais que o dobro desse valor.
Embarcamos e tcham-ram:

Parece um avião! Eu imaginava uns bancos de aço, igual de ônibus, com as coisas todas caindo aos pedaços! Hahahah
Também imaginei que haveria muita gente mal-encarada, mas todas as pessoas pareciam bem normais, um casal ficou do nosso lado e eles pareciam simpáticos, inclusive.
E eu dormi. Dormi, dormi. É tão gostoso dormir em trem, gente. Se fossem camas ao invés de poltronas, eu teria dormindo muito mais.
Acordei e uma senhora ficava passando de vez em quando, vendendo refrigerante, batatinhas, doces. Não comprei, fiquei comendo os biscoitos franceses que havia comprado no supermercado no dia anterior.
Viagens longas como essas dão aquela estranha sensação de vortex temporal. É como se, a partir de um determinado momento, não fosse mais possível saber que horas, que dia, que lugar se está.
Eu passei por isso de São Paulo para Munique e senti também nessas oito horas dentro do trem para São Petesburgo.
Só posso dizer que as oito horas demoraram para passar, que dormi, dormi, acordei, dormi, acordei e ficamos nessa até chegarmos por volta das 23h em São Petersburgo.
25.07.12

Amanheceu e chegava a hora de me despedir de Moscou. Tomei um banho, terminei de arrumar as malas e fomos fazer o check-out. Agora teríamos que pegar o metrô, uma série de estações até chegar na estação de trem para São Petersburgo.
Sobre a cidade
No geral, achei a cidade razoável. Tem alguns pontos memoráveis e que são imperdíveis, como a hiperconhecida - com razão - Praça Vermelha. Há muito para se ver, no entanto, a capital da Rússia perde para São Petersburgo no quesito charme. A cidade lembra um pouco São Paulo, meio cinza e apenas com alguns pontos de beleza. No entanto, esses pontos são ÚNICOS.
Ficou faltando conhecer as casas-museus do Maiakóvski, Tolstoi; o museu do Pushkin; entrar no Bolshoi ; a Universidade Estatal de Moscou e a tal sinagoga do Parque da Vitória.
Mesmo com todas as dificuldades e o primeiro dia infernal, vejo o saldo como positivo. Ou seja, se for para a Rússia, vale a pena conhecer Moscou, nem que seja um dia.
O que eu nunca vou esquecer é aquela voz automática do metrô, que avisa para os passageiros se afastarem da porta, qual nome da estação que chegou e qual a próxima.
Como o nosso hotel ficava no fim do mundo, a gente percorria a linha cinza até a última estação, parando em um quilo de outras estações. Cheguei a decorar a ordem delas, inclusive: Nagornaya, Nagantiskaya, Ulitsa Academika Yanglya… Enfim, ficou na memória para sempre hehehe
“Sledushi stantzya: anina”
Avaliação geral do Rus Otel’:
Localização: 
Preço: 

Conforto: 

Serviços: 
Atendimento: 

Estética do ambiente: 


Informações sobre o hotel
Nome: Rus Otel’ (Rus Hotel)
Localização: Quinto dos infernos (brincadeira, hehe). Warshavskoe Highway
Site: http://www.rus-hotel.ru/en/
Comentário: É possível reservar sua estadia no próprio site do hotel. O café da manhã é pago, além da água, e tudo do restaurante é excessivamente caro (paguei quase 100 reais em dois hamburgueres + bebida). As recepcionistas falam inglês. A internet é capenga, fica caindo o tempo todo. A estética da recepção é maravilhosa, mas os quartos parecem saidos dos tempos soviéticos. Feios, com jeito de velhos, como diria minha avó, uma “rosminaria”. As chaves são analógicas, não há ar-condicionado ou aquecedor. O lado bom é que tem elevador. Se não existisse o serviço do shuttle , eu diria que é uma merda de hotel (falo mesmo). Falta haver um aviso maior na estação de onde exatamente o mini-ônibus do hotel para - já falei para vocês o dia infernal que eu passei por causa disso. Enfim, não recomendo o hotel. Não é o pior do mundo, mas não vale a pena, mesmo não sendo tão caro como o Nevsky.
24.07.12
No nosso roteiro original, o planejamento incluia alguns outros lugares, como a casa-museu Maiakóvski e a casa-museu do Tolstoi.Como tivemos aqueles probleminhas na chegada de Moscou, readaptamos o roteiro, inclusive adicionando alguns lugares novos.
Enquanto estava em São Petersburgo, pesquisei um pouco sobre as sinagogas na Rússia e descobri que havia uma em memória às vítimas do holocausto. O prédio ficava em um complexo dedicado à guerra, em especial a Segunda Guerra Mundial, o Parque da Vitória.
Vocês já imaginam o quanto eu fiquei interessada em conhecer. Mesmo o dia estando lotado de lugares para conhecer, fiz questão de visitar o parque.
Antes de pegar o metrô, paramos em um supermercado. Queria comprar uma garrafa de vodka de lembrança (rs), mas não encontrei. Comprei então um biscoitinho francês, para comer no trem no dia seguinte, e uma caixinha de chicletes japoneses, que vinham em uma embalagem em formato de dente. No caminho, passamos por mais um prédio com arquitetura interessante e eu fotografei para vocês:

Saímos tarde (por volta das 18h) do Parque das Artes/Jardim dos Monumentos Caídos e fomos para a estação Oktyabrskaya com destino à estação Park Pobedy (Parque da Vitória).
Na saída da estação, aconteceu um fato curioso. Não sei se já disse aqui, mas eu MORRO de medo de escada rolante. Preciso segurar em alguém, que tenho pânico de cair. É um medo bobo, mas enfim. Enquanto subíamos para sair da estação, um outro grupo estava descendo na escada ao lado e aconteceu uma queda de energia, que fez com que a escada desse um solavanco. Quase que todo mundo caia, feito um dominó (rs). Fiquei estática, apavorada, pensando: e se fosse comigo? Eu já teria tido um ataque cardíaco, ou pior: teria caído.
Já era umas 19:20 quando finalmente chegamos no parque. O local fica elevado com relação ao resto da cidade e é ENORME, GRANDIOSO, GIGANTE. Ah, não sei nem que adjetivo seria mais adequado. É uma materialização da hipérbole. Mesmo com o horário, o sol atravessava o céu e atingia com toda a força o parque.



(Logo na entrada, esse monumento com o ano em que a Rússia foi invadida pela Alemanha na Segunda Guerra)

Nem palavras nem fotos conseguem exdpressar o quão imponente é esse lugar, só indo lá mesmo.
É possível notar que existe um prédio grandão atrás do obelisco. Pois bem, é o Museu da Guerra, que estava fechado porque eram mais de 18h. :(((

(A chama da Vitória. Muito solene. Atrás, o Museu da Guerra)

Como o local é elevado, é possível ver no horizonte as 7 irmãs de Stalin, um complexo de prédios altíssimos de Moscou construídos a pedido de Stalin.


(Bustos de guerras do século XIX)
Vocês devem estar se perguntando, cadê a sinagoga, Carol?
Pois bem. Também não sei.
Andei, andei, andei. Cheguei ao ponto de ter que tirar os sapatos, porque eu não aguentava mais de dor, mas não encontrei a sinagoga.
Perguntei para uma moça em uma barraquinha, mas ela simplesmente me disse para ir para a esquerda (no tamanho daquele lugar, isso era o mesmo que dizer que o Japão ficava no leste).
As outras pessoas que eu perguntei simplesmente riram e disseram que não sabiam.Fica a dúvida se essa sinagoga só existe nos guias mesmo. Ao menos achei esse monumento bem bacana, provavelmente em homenagem ao holocausto:

Eu não aguentava mais dar um passo. Depois de rodar o Parque, que deve ser do tamanho de uns três campos de futebol, eu só queria descansar meus pezinhos. O horário também não ajudava, já estava anoitecendo, embora não escurecesse.
Devo ter levado uns 30 minutos para conseguir sair do lugar. Eu andava e precisava parar por uns 5 minutos. Me senti uma velha incapacitada, mas tudo bem. Depois de muita dor e suor, eu chegava no hotel, tomava um banho, arrumava a mala e dormia.
24.07.12
Saímosda galeria Tretyakov por volta das 16:30 e fomos para o Parque das Artes/Jardim dos Monumentos Caídos. No caminho, enquanto andávamos na beira do rio Moscou, essa estátua gigantesca com motivos náuticos no meio do rio.



O parque é enorme e repleto de estátuas desde o século XVIII até o período soviético. O lugar é interessante, porque reflete as turbulências políticas que a Rússia viveu desde a sua existência: sobem e caem líderes, regimes políticos e ficam os seus rostos e símbolos presos na pedra. As estátuas são dispersas pelo parque como se tivessem chegado lá “por acaso”, o que é um tanto quanto perturbador. É quase como se fosse um paraíso para onde as estátuas vão depois de “morrer” politicamente.







Foi engraçado, porque enquanto conversávamos e admirávamos os monumentos, um homem falou “Brasil?”
- Brasil! - Respondemos sorridentes
Descobrimos que até o nosso guia era o mesmo. Que reconfortante achar mais um brazuca em Moscou - que parece ser muito mais destino dos brasileiros que St. Pete, o que é uma pena.





24.07.12

Pegamos novamente o metrô, porque, segundo o guia, a galeria Tretyakov ficava ao lado de uma estação. Saltamos na tal estação, que eu não lembro o nome (izvinite), e havia uma placa imensa “GALERIA TRETYAKOV”, com uma apontando para a esquerda.
Seguimos, então, aquela direção. E fomos, fomos, fomos. Perguntamos para pessoas na rua e elas mandavam a gente seguir reto. Comecei a achar que aquela placa não fazia sentido nenhum, muito menos a orientação do guia.
Quando meus pés começaram a gritar de cansaço, paramos um grupo de pessoas e perguntamos. Elas disseram para a gente dar meia volta, entrar numa outra rua, dobrar.
Enfim, seguimos esse conselho e passamos por um McDonalds. Como além dos meus pés, meu estômago também reclamava, fizemos uma parada para o almoço. Comi um hambúrguer e um spraite no caminho.
Finalmente chegamos à famosa galeria, que fica em frente a nada menos que uma praça. Uma senhora nos ouviu falando em português e perguntou se queríamos um tour pela galeria em espanhol. Agradecemos, mas explicamos que não poderíamos (eu não entendo espanhol e não tava com grana pra isso).
Fomos na bilheteria e na hora da compra houve uma pequena confusão, que até hoje eu não entendi qual foi o problema. No final das contas, eu e o Carlos ficamos com entradas diferentes.



Museus na Rússia são incríveis. Parecem pequenos, mas são verdadeiros labirintos. Um erro de percurso e você vai parar em uma galeria completamente diferente.
Várias pinturas, principalmente do século XVIII, compõe o museu, que também apresenta peças,estátuas e artefatos históricos.

(ok, não sei bater foto)



(Vejam só que inusitado: o famoso quadro do escritor Nikolai Gogól, que ilustra uma biografia que tenho dele)

( E não podia faltar. Se tinha do Gogól, obrigatoriamente teria que ter ao menos UMA do Dostô. E é justamente a mais famosa do escritor)







(Olha o Ivan Gorzny (O Terrível) também dando as caras. Pintura super conhecida também)

(Muitos cavaleiros e motivos medievais na Galeria Tretyakov.)

(Não me perguntem qual foi o bug que deu no meu iPod para a foto sair com esse efeito blur, porque eu não faço ideia)


(Ivan se arrependendo de ter matado o filho. Famosa pintura também.)

(Mais um tzar.E o Carlos de photobomb)


(Uma sinagoga. Tinha que registrar, né?)

(Também não poderia esquecer do Tolstoi, é claro)

(Uma lareira toda ornamentada)

(Um rabino)



Asseguro para vocês que essas fotos não correspondem nem a 5% da galeria - para vocês verem como vale muito a pena conferir. São paisagens da Rússia rural, Rússia tzarista, medieval, roupas, livros, lareiras, jóias, estátuas, enfim, se perca na galeria e boa viagem.
24.07.12
E chegou nosso último dia em Moscou. Antes de mais nada, dessa vez saímos bem cedo do hotel, nem tomamos café lá.
A primeira parada foi uma igrejinha, bem inha, cuja única atração era uma estátua na frente. Sinceramente, eu já tava enjoada de ver tanta igreja - nada contra cristãos, por favor - mas o Carlos encheu o roteiro com a visita desses templos religiosos, então, ok…


Paramos em uma Kafe Hauz (russificação de Coffe House, que quer dizer, em inglês, Casa do Café) por perto para tomar café. Pedi aquele maravilhoso chocolate quente russo.

Sinto saudades desse chocolate, preciso dizer.
Pedi também blinis com recheio de queijo cottage. No entanto, as panquecas vieram com um molho bem doce que me deu enjoo (acho que era de morango, sei lá), então nem comi todas.
Notei que tinha gente fumando lá dentro da cafeteria, o que para nós brasileiros pode ser meio estranho (de manhã cedo gente fumando dentro de uma lanchonete). Bem, fumar me pareceu ser um hábito de 90% da população russa. Além de ver pessoas na rua jogando sua linda fumaça, havia bitucas pelas ruas.
Os atendentes foram bem simpáticos, eram bem jovens e atenciosos. Aproveitei para conectar na internet e ver nos mapas os lugares para onde deveríamos ir, afinal, o dia seria cheio e iríamos passar por vários locais distantes um dos outros.

Os pontos em vermelho são os locais que iríamos visitar e em azul a nossa localização no momento (o café).
Seguimos então para a próxima parada, mais uma igrejinha. Dessa vez, a arquitetura era bem interessante. No caminho, passamos por uma espécie de Chinatown russa (Kitay Gorod), bem exótica a rua.



(Pequeno jardim do lado de fora da igreja. Bem bonitinho, né?)
O interessante é que no caminho fomos encontrando umas construções bem interessantes. Olhava-se o horizonte e aparecia o topo de prédios e cúpulas brilhantes. Topávamos, por acaso, com igrejinhas e construções bem interessantes.











No caminho, passamos novamente pela Praça Vermelha, então aproveitei e tirei uma foto melhorzinha da Catedral de S. Basílio e do Kremlin.



De lá pegamos o metrô e paramos na estação em frente ao nosso próximo destino: A Catedral do Cristo Salvador, que fica no centro de uma praça circular elevada.





(Claro que havia barraquinhas de sorvete e claro que eu fiz a festa rs)
Também fotografei os arredores, como de costume.



A catedral é bem grande e o exterior é elegante. O Carlos queria entrar, mas falaram que ela estava fechada.





A praça ficava conectada com o outro lado do rio Moscou por uma gigantesca ponte.


(Placa com o nome da ponte, que é homenagem ao patriarca Aleksiya II, falecido em 2008)


(Vista da ponte)



Do lado esquerdo da praça da catedral, era possível ver embaixo uma outra pracinha, bem bonitinha.


O destino seguinte era a famosa Galeria Tretyakov, que fica para o próximo post ;)
23.07.12
Saímos do complexo do Kremlin e fomos conhecer a Biblioteca Nacional do Lenin, que fica bem próxima da Praça Vermelha.

Protegendo o edifício, a majestosa timidez de Dostoiévski.


Também fotografei os arredores:

Na saída, passamos novamente pela Teatral’naya, então aproveitei para fotografar melhor o grande Bolshoi Teatr’ e os prédios cênicos.



(Tentei capturar o outdoor com o espetáculo em cartaz)
Não entrei em nenhum dos dois teatros, mas em termos de arquitetura externa, o Bolshoi dá de 1000 a 0 no Mariinsky.
Depois de andar um pouquinho, chegamos na praça Lubyanka, que fica em frente à antiga sede do KGB.


Meio triste o prédio, não?

A praça Lubyanka é esse jardim pequeno, que fica no centro de vários cruzamentos. Não entendi qual o sentido de tal praça, principalmente como as pessoas vão para lá e o que lá fazem. De qualquer forma, ela acaba sendo um ponto de referência para quem quer encontrar a antiga sede da agência de espionagem soviética.
Havia muitos prédios em construção/reforma, então passamos por várias calçadas improvisadas, cobertas com um telhado de pano, que “protegeria” os pedestres de eventuais respingos de tinta. Dá para perceber isso olha atentamente para as fotos que postei aqui: sempre tem um edifício com uma tela, andaimes e tudo mais.
Bom, o dia estava acabando e tratamos de retornar para o hotel. Pegamos a estação de metrô mais próxima e seguimos para a última da linha cinza. Nem preciso dizer que estava tudo lotadíssimo.
Uma mulher, aparentemente uma muçulmana, chamou a atenção de todo o vagão em que eu estava. O filho dela não sossegava, gritando, subindo nos bancos, e o menorzinho estava em um carrinho de bebê dormindo. A coitada só exprimia uma cara de constrangimento incrível, enquanto todo o resto das pessoas a fitava ao longo de toda a viagem.
E que longa a viagem para a gente! Tivemos que trocar de estação, mas era só saltar e descer/subir escadas - algo que eu achei muito prático e invejarei para sempre. O transporte público na Rússia vale muito a pena e é baratinho.
Bom, após essa pequena odisseia no metrô, chegamos à Bul’dva Dimitrisgovo. Mas onde é que o shuttle do Rus Otel’ parou mesmo?
Pronto.
Começou novamente o inferno do dia anterior. Fomos de ponta a ponta da saída da estação e nada de lembrarmos onde parava. O Carlos falava que recordava de uma cúpula de igreja de tal ângulo, mas nenhum ônibus parava onde estávamos. As horas simplesmente passavam, já eram quase 20h e eu preocupadíssima, afinal, era um local afastado do centro. A única sorte era que não escurecia e havia muitos vendedores na praça.
Eu lembrava que ficava num lugar com umas pedrinhas iguais ao do outro lado e que havia uma feirinha no chão, então entramos na estação e descemos do lado oposto.
Mesmo assim, nada do miniônibus aparecer, então decidi ir perguntar para as pessoas. Fui até o extremo da praça, perguntando para vendedores, transeuntes. No caminho, parei e comprei milho verde cozidoo! Isso mesmo, não acreditei quando vi isso vendendo na Rússia! Estava maravilhoso :9

Eu já estava retornando, desistindo de tudo e vendo meu funeral, quando percebo que o Carlos estava correndo e fazendo sinal para que eu o seguisse rapidamente. Ele havia descoberto onde o shuttle parava e pediu para o motorista esperar.
Não sabem o alívio que eu senti. Ufa, agora eu nunca mais esqueceria onde aquela p*** de ônibus parava.
Retornamos para o hotel, tomei um banho e resolvi abrir as janelas, pois estava muito, muito quente. `Por sinal, não ter usado protetor solar me deixou com aquele bronzeado de turista…
Finalmente escurecia em Moscou, por volta de meia noite e meia, e eu consegui capturar as famosas noites moscovitas.

Dormi lindamente.
23.07.12

Como eu disse no post anterior, o espaço da Praça Vermelha e do Kremlin é extremamente complexo. Há muito muito para se ver. São milhões de catedrais, jardins, praças, grutas, museus.
Na saída da Praça Vermelha, havia uma chama da vitória, protegida por duas sentinelas. Ao lado, havia um caminho com pequenos monumentos, cada um com o nome de um dos fronts da guerra.


A cada período de tempo, os soldados se revezavam, fazendo uma marcha solene neste caminho. Os turistas, enlouquecidos com suas câmeras histéricas, acompanhavam o acontecimento de forma patética.Mesmo assim, foi intenso. Sentia-se a seriedade da situação.



Ao lado, havia uma praça com uma coluna e os nomes dos fronts. Meio perturbador. Também havia uma pequena gruta nas paredes do Kremlin. Artefatos históricos eram lá expostos.


Do outro lado, um imenso e belíssimo jardim, todo florido.




Ao longo das paredes do Kremlin, várias pequenas surpresas, como essa placa sobre a Segunda Guerra Mundial.


Existem vários outros jardins paralelos, bem arborizados, com lojas de souvernir, estabelecimentos para guardar mochilas. Sentamos na grama e apreciamos um pouco a vista. O local estava repleto de gringos.




Bom, agora vem a parte meio triste: fomos comprar as entradas para o Kremlin e havia um aviso proibindo o uso de câmeras fotográficas. Era proibido entrar com qualquer mochila/bolsa. Tive que deixar minhas coisas num guarda-volumes, que pesava e cobrava em cima do peso (a minha deu uns 50 rublos).
Entramos no Kremlin e é incrível, mas, infelizmente, não tenho como mostrar fotograrfias para vocês. O que me deu mais raiva foi que vi uns turistas com máquina fotográfica lá dentro.
Por sinal, tinha gente de tudo quanto é lugar: italianos, portugueses, franceses, brasileiros e, claro, muitos orientais.
Tirei umas fotos dos guias que haviam dentro das catedrais e o Carlos pegou para mim (não entrei).

São diversas catedrais, super antigas ( do século XV e XVI) , museus, mais jardins, enfim, um mundo que eu não consigo descrever. A entrada depende do que você quer visitar, então existiam ingressos mais caros e que dava acesso a exposições especiais (de jóias e tudo mais). Compramos a mais simples e eu usei minha carteirinha de estudante da UFPA e ganhei meia.rs

A dica é conhecer com calma cada lugar e levar uma boa câmera fotográfica. Vale muito a pena e você não pode ir a Moscou sem antes se perder no complexo do Kremlin. Eu queria ter tido tempo e pernas para visitar todos os museus e passear por todos os jardins do centro político moscovita, mas, fica para uma próxima. ;)
23.07.12
Acordei, obviamente, cedo. Aproveitei para entrar em contato com a família, mas a internet do hotel era muito ruim, ficava caindo o tempo todo.
Tomei um banho, liguei para o Carlos e fomos tomar café. Quando desci, ele já estava lá embaixo, e contou que encontrou com um casal de brasileiros que veio para o hotel de taxi (!!) do aeroporto Domodedovo - imaginem a conta.
Aparentemente, todo o nosso andar havia sido reservado pela Decolar e havia muitos brasileiros por lá. Bem, leiam o post sobre a nossa chegada em Moscou que vocês entederão porque eu não recomendo de MODO ALGUM esse hotel.
Tomei um simples capuccino e comprei uma água, já que não havia um bebedouro como no Nevsky (ai que saudade, snif). Só isso já custou os olhos da cara. Café da manhã de graça, nem pensar…
Pegamos o tão famoso shuttle do hotel por volta das 11 da manhã. Saimos tarde porque perdemos o primeiro shuttle , já que eu tive que subir de novo (me enrolava toda para abrir a porta) para pegar o protetor solar. Resultado: nem encontrei o protetor solar e ainda acabamos nos atrasando. De qualquer forma, vimos onde o tal miniônibus parava e era uma área meio escondida com relação à saída da estação.
A primeira parada era a tan-dan-dan: Praça Vermelha, ou Kraniy Ploshad’. Famosa, clichê, exuberante,repleta de turistas, gigantesca, mas impossível de não visitar indo à Rússia.
Saltamos na estação mais próxima do Kremlin e no caminho passamos por uma pracinha linda.



(Homenagem ao famoso músico Rachmaninoff)

(Ainda tinha esse garotinho russo brincando ao lado, ai tirei uma foto dele :P)

(Tirei foto dessa construção aleatória, porque achei a arquitetura interessante)
Fomos perguntando para as pessoas para que lado ficava a Kraniy Ploshad’. No meio do caminho, encontro esse prédio incrível:

E mais esse:

Esse último, por sinal, quem advinha qual é?

Quem pensou em Teatro Bolshoi acertou. Outrogrande ícone da Rússia, o teatro é tão importante, que dá o nome para a rua (“Teatral’naya”) e para a pracinha em frente.
Também tirei fotos dos prédios por perto.




Chegamos, então, em Ploshad’ Revolutsi (Praça da Revolução). Lá, encontramos uma estátua imponente do velho Karl Marx e a célebre frase do Manifesto Comunista: “Proletários de todos os países, uni-vos”.


Abaixo, outra frase de um comunista famoso: Lenin. É alguma coisa sobre Marx, mas não consegui traduzir a sentença inteira hehe.

Repararam nas fotos que já era possível ver umas torres ao fundo? Eram do complexo do Kremlin.


Lindas as torres, não? Paramos em uma feirinha de lembranças e compramos matrioshkas e artefatos históricos. Trouxe para o meu pai, que é apaixonado por aviação e Segunda Guerra, um capacete de piloto de avião da época da guerra. Havia de tudo: imãs de geladeira, cantil, bustos do Lenin, ovos decorados, enfim, aquelas bugigangas que a gente adora.
Reparem na foto acima que o local estava bem lotado, embora já fosse quase meio-dia.

Muito turista é igual a muitas barraquinhas de sorvete, refrigerante, lembrancinhas e tudo mais. O lugar fervia e tinha gente de tudo quanto é lugar do mundo.
Logo na entrada, a estátua do general Jukov, que eu tinha muita curiosidade de conhecer. Ele foi responsável por criar as estratégias para expulsar os nazistas do país, em especial o contra-ataque de Stalingrado. Quem curte história da Segunda Guerra Mundial, vai curtir conhecer a estátua do famoso general russo.

(Olhem o cara todo jogado na grama. Nem para o Jukov fazer uma sombra)
O sol nesse horário não perdoava e batia com toda a força.

Em frente ao complexo Praça Vermelha e Kremlin, existe mais essa pracinha (abaixo), com prédios, pontes e um McDonalds mega badalado.


Depois de fazer as comprinhas e admirar as atrações da entrada, era hora de verdadeiramente andar pela Praça Vermelha. Não sei como descrever a emoção de ir avançando e avistar as cúpulas e torres coloridas.


A praça é um pouco mais estreita do que eu imaginei, mas, mesmo assim, é uma boa caminhada.



( Acima, o famoso GUM, que no passado soviético era um centro de distribuição de alimentos e hoje em dia é um shopping de luxo)

É muito turista.
São muitas as atrações também. Para qualquer lugar que se olhe, tem um prédio famoso, uma catedral, um mausoléu. Um banquete para os olhos.

Ignorem a menina posando para a foto no Mausoléu do Lenin heuhueh

É praticamente impossível tirar uma foto sem que um quilo de turistas saia em uma pose ridícula.


(Túmulo do Stalin)




(Catedral de S. Basílio - símbolo-mor da Rússia)


O sol estava absurdamente forte (e eu sem protetor solar), então foi muito difícil tirar uma foto digna.

Demos uma parada e fomos no McDonalds almoçar. O local estava lo-ta-do. Comi um Maknaggets com spraíte.
O resto do passeio pela praça continua no próximo post. ;)